outubro 18, 2009

Outro dia, outra barata!

Estava quase dormindo, tinha acabado de deitar, fazia pouco tempo que tinha terminado de responder uma prova. Daí que deitada, ouvi um barulho: PLAFT! Sim, esse barulho de barata caindo no chão. Não foi difícil imaginar, pois tinha deixado uma tigela com migalhinhas de comida em cima da escrivaninha. Tinha esquecido-se de levar para a cozinha quando fui escovar os dentes e quando percebi achei melhor não voltar mais pois tinha um primo do meu pai dormindo no sofá e eu não queria mais atravessar a sala.Não foi difícil imaginar também exatamente onde ela estava, pois eu havia deixado a janela que dá para a área aberta.

Ao ouvir o plaft pulei da cama imediatamente, acendi a luz e não me importando mais com o primo do meu pai que estava na sala comecei a jogar um tênis atrás do móvel que fica bem abaixo da janela que dá para área e lá estava ela, imóvel atrás do móvel. Barata tem essa mania de se fingir de morta! Mas eu já sabendo disso, jogava ainda com mais força o tênis em cima da desgraçada, minha vontade era esmagá-la, pois tinha a impressão de que não lhe causava nenhum dano quando atirava furiosamente em sua direção o meu All star lilás. Teve uma hora em que não sei como consegui ter o bicho de pernas pra cima se debatendo e foi aí que eu ouvi que a minha mãe havia acordado. Corri no quintal para pegar pá e vassoura, já implorando para que ela, que já sabe de todo o meu terror por esse bicho marrom e fedorento, assumisse o controle da situação. Enquanto quase tinha um ataque cardíaco, minha mãe delicadamente colocava a barata na pá e levava-a tranquilamente para o quintal, que nem parecia que tinha acabado de acordar no meio da noite com alguém sacudindo um tênis na parede.

Eu a acompanhava enquanto ela levava a semi-barata semi-esmagada, acreditem, ainda viva em cima da pá, para o quintal. Imaginei-a rindo de pernas pra cima na pá em um passeio turístico pela casa, rindo da minha cara, lógico! Foi então que num súbito momento, ela, a semi-barata semi-esmagada aproveitando-se de toda tranqüilidade da minha mãe dá um pinote de artista circense e desaparece como mágica na escuridão do quintal.

Pasmem! Não gosto mesmo desse bicho, mesmo.

E o primo do meu pai? Nem acordou!

outubro 16, 2009

Ela ainda estava lá

Passou-se e o dia inteiro, cheguei em casa exausta e ela ainda estava lá no canto de parede que fica atrás da porta!

Tenho que fazer xixi olhando a maldita barata de pernas pra cima, me aterrorizando todas as vezes que a olho fixamente.

Eu sentada, fazendo xixi, e ela mexendo a cabeça e as longas antenas acima de sua testa (imagino eu que ela tenha uma testa). Ela mexe as malditas antenas juntamente com todas as suas pernas. E eu tendo que tomar um banho e lavar os cabelos.

Imagine eu parecendo uma atleta de salto em altura, só que imagine isso no chuveiro!!
É assim, vou ajudar: eu tenho que tomar banho, lavar os cabelos e evitar respingos de água longos, de tal maneira que nem cheguem perto do ser de cor marrom (eu nunca gostei dessa cor!) que se encontra imóvel, nesse momento, de pernas pra cima no meu banheiro. Então, eu fazendo todo o esforço possível para que não caia nenhum pingo de água ou espuma de xampu perto do canto que fica atrás da porta e a desgraçada assustada dê um pinote acrobático e saia tonta desvairada e eu, com isso, morra de um ataque fulminante do coração. Chego a ouvir a música estridente num clima de suspense igual aos filmes em que o psicopata aparece do nada para a mulher de blusa regata e sem soutien que depois de perseguida é torturada friamente com uma serra elétrica.
Nesse momento eu me imagino estatelada no chão do banheiro minúsculo e a maldita barata tonta enlouquecida passando sobre o meu corpo. Nesse exato momento, inclusive, acho que vou ter um ataque cardíaco e as coisas pioram quando eu num esforço desvairado para terminar meu banho sem nenhuma seqüela psicológica que seja, com condicionador no cabelo, sabonete pelo corpo, ainda tendo que passar o sabonete líquido no rosto, deixo cair o xampu de cima da privada causando um estrondo horroroso que faz a maldita se espernear por horas.
Basta! Ligo o chuveiro e depois do banho com cabelo lavado mais rápido que eu já tomei na vida, tenho que pensar na maneira mais rápida de atravessar a porta e sair daquele banheiro, que hoje me pareceu muito menor do que ele é realmente.
Junto tudo que preciso levar para o quarto nas mãos, abro a porta e quase que me materializando para o outro lado; estou salva!!
Saio molhando toda a cozinha, a sala e o quarto pensando nas pessoas que quando eu contar irão falar:
- Aii... é só uma barata!