Estava quase dormindo, tinha acabado de deitar, fazia pouco tempo que tinha terminado de responder uma prova. Daí que deitada, ouvi um barulho: PLAFT! Sim, esse barulho de barata caindo no chão. Não foi difícil imaginar, pois tinha deixado uma tigela com migalhinhas de comida em cima da escrivaninha. Tinha esquecido-se de levar para a cozinha quando fui escovar os dentes e quando percebi achei melhor não voltar mais pois tinha um primo do meu pai dormindo no sofá e eu não queria mais atravessar a sala.Não foi difícil imaginar também exatamente onde ela estava, pois eu havia deixado a janela que dá para a área aberta.
Ao ouvir o plaft pulei da cama imediatamente, acendi a luz e não me importando mais com o primo do meu pai que estava na sala comecei a jogar um tênis atrás do móvel que fica bem abaixo da janela que dá para área e lá estava ela, imóvel atrás do móvel. Barata tem essa mania de se fingir de morta! Mas eu já sabendo disso, jogava ainda com mais força o tênis em cima da desgraçada, minha vontade era esmagá-la, pois tinha a impressão de que não lhe causava nenhum dano quando atirava furiosamente em sua direção o meu All star lilás. Teve uma hora em que não sei como consegui ter o bicho de pernas pra cima se debatendo e foi aí que eu ouvi que a minha mãe havia acordado. Corri no quintal para pegar pá e vassoura, já implorando para que ela, que já sabe de todo o meu terror por esse bicho marrom e fedorento, assumisse o controle da situação. Enquanto quase tinha um ataque cardíaco, minha mãe delicadamente colocava a barata na pá e levava-a tranquilamente para o quintal, que nem parecia que tinha acabado de acordar no meio da noite com alguém sacudindo um tênis na parede.
Eu a acompanhava enquanto ela levava a semi-barata semi-esmagada, acreditem, ainda viva em cima da pá, para o quintal. Imaginei-a rindo de pernas pra cima na pá em um passeio turístico pela casa, rindo da minha cara, lógico! Foi então que num súbito momento, ela, a semi-barata semi-esmagada aproveitando-se de toda tranqüilidade da minha mãe dá um pinote de artista circense e desaparece como mágica na escuridão do quintal.
Pasmem! Não gosto mesmo desse bicho, mesmo.
E o primo do meu pai? Nem acordou!